domingo, abril 02, 2006
Deciding to love
"O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece,"
1Co 13:4
Há algum tempo atrás eu ouvi a seguinte frase: amar é uma decisão. Essa frase ficou guardada em mim durante muito tempo, até que essa semana eu a ouvi novamente, em outra ocasião. E me fez lembrar que eu certamente concordo com o que ela diz.
Amor, além de um sentimento, é uma decisão. Você ama quando decide abrir mão muitas vezes de suas próprias vontades, quando decide aceitar os defeitos, e o mais importante, quando decide ser amado. Nem sempre amar significa aquele frio na barriga, o aperto no peito, a ansiedade característica de quando se está apaixonado. Seria muito bom que fosse sempre assim. Mas numa longa convivência nem sempre isso irá existir. Amar vai muito além dos beijos e abraços, do contato físico, e até mesmo da presença física. Amar é decidir esperar, o momento certo, o tempo certo.
Eu sei que talvez eu não seja a pessoa certa pra falar sobre isso, mas nesses 4 últimos anos eu tenho aprendido que realmente o amor é sofredor, nem sempre ele é correspondido, muitas vezes ele até é desprezado. Mas uma coisa é certa, o verdadeiro amor molda, ensina a perdoar, a renunciar, a esperar. Várias e várias vezes nós abrimos a boca pra dizer "eu te amo", mas não conseguimos passar pela primeira prova do amor, que é a prova do tempo. A bíblia diz que o verdadeiro amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta, e nem sempre conseguimos colocar de lado as nossas ansiedades e pretensões, pra muitas vezes sufocar o sentimento com as angústias e dúvidas. Dúvidas que nem seria necessário existirem, já que o maior alicerce do amor é a confiança.
Outra coisa que entristece é ver um sentimento tão perfeito assim ser banalizado. Hoje se "ama" da mesma velocidade que se compra um chiclete na esquina. Virou coisa comum abrir a boca pra dizer "eu te amo" sendo que não passa apenas de uma frase que nasce na boca, e não no coração. Amor tal que não sobrevive ao dia-a-dia, que na primeira dificuldade se transforma em dúvida, e logo adiante se apaga, mesmo sem nem ter nascido.
O texto que eu vou colocar a seguir mostra o valor da renúncia através do amor:
Amor e renúncia
A conversa informal durante o café da manhã foi mais uma oportunidade de aprendizado para os que ouviam aquela senhora de semblante calmo e cabelos embranquecidos pelas muitas primaveras já vividas.
Ela pôs o café e o leite na xícara e alguém lhe ofereceu açúcar. Mas a senhora agradeceu dizendo que não fazia uso de açúcar. Alguém alcançou-lhe rapidamente o adoçante, por pensar que deveria estar cumprindo alguma dieta.
Mas ela agradeceu novamente dizendo que tomava apenas café com leite, sem açúcar nem adoçante dietético.
Sua atitude causou admiração, pois raras pessoas dispensam o açúcar. Mas ela contou a sua história.
Disse que logo depois que se casara havia deixado de usar açúcar. Imediatamente imaginamos que deveria ser para acompanhar o marido que, por certo, não gostava de doce.
Mas aquela senhora, que agora lembrava com carinho do marido já falecido há alguns anos, esclareceu que o motivo era outro.
Falou de como o seu jovem esposo gostava de açúcar, e falou também da escassez do produto durante a segunda guerra mundial.
Disse que por causa do racionamento conseguiam apenas alguns quilos por mês e que mal dava para seu companheiro.
Ela, que o amava muito, renunciou ao açúcar para que seu bem amado não ficasse sem.
Declarou que depois que a guerra acabou e a situação se normalizou, já não fazia mais questão de adoçar seu café e que havia perdido completamente o hábito do doce.
Hoje em dia, talvez uma atitude dessas causasse espanto naqueles que não conseguem analisar o valor e a grandeza de uma renúncia desse porte.
Somente quem ama, verdadeiramente, é capaz de um gesto nobre em favor da pessoa amada.
Nos dias atuais, em que os casais se separam por questões tão insignificantes, vale a pena lembrar as heroínas e os heróis anônimos que renunciaram ou renunciam a tantas coisas para fazer a felicidade do companheiro ou companheira.
Nesses dias em que raros cônjuges abrem mão de uma simples opinião em prol da harmonia do lar, vale lembrar que a vida a dois deve ser um exercício constante de renúncia e abnegação.
Não estamos falando de anulação nem de subserviência de um ou de outro, mas simplesmente da necessidade de relevar ou tolerar os defeitos um do outro.
Não é preciso chegar ao ponto de abrir mão de algo que se goste por mero capricho ou exigência do cônjuge, mas se pudermos renunciar a algo para que nosso amor seja feliz, essa será uma atitude de grande nobreza de nossa parte.
Afinal de contas, o verdadeiro amor é feito de renúncia e abnegação senão não é amor, é egoísmo.
Se entre aqueles que optaram por dividir o lar, o leito e o carinho a dois, não existir tolerância, de quem podemos esperar tal virtude?
Se você ainda não havia pensado nisso, pense agora.
Pense que, quando se opta por viver as experiências do casamento, decide-se por compartilhar uma vida a dois e isso quer dizer, muitas vezes, abrir mão de alguns caprichos em prol da harmonia no lar.
Se você só se deu conta disso depois que já havia se casado, lembre-se de que a convivência é uma arte e um desafio que merece ser vivido com toda dedicação e carinho. Pois quando aprendermos a viver em harmonia dentro do lar, estaremos preparados para viver bem em qualquer sociedade.
Bom... É só. Acho que é a coisa mais melancólica que eu já escrevi numa manhã de domingo, mas se você chegou até aqui, espero de coração que tenha servido pra algo. Talvez não fosse aquilo que você queria, mas aquilo que você precisava.
"tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta."
1Co 13:7
Postado por João Roberto L. de Sousa
@ 10:40
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